8.24.2009

Ago-23-Domingo de Sol.

De volta à laje. Falta só o mar.

Último dia do Ted. Passamos a tarde tomando cerveja, sentados na frente do ventilador, batendo papo em casa. Com direito à um delicioso jantar no The Great Kabab Factory, nos despedimos de mais um Fletcherite.

"Excellent place to spend a quiet night out with your loved ones. It serves the best of the kababs and service is really good.It's a paradise for non-vegetarians, the kebabs and the dessert is awesome.The best place to take corporates."

Sábado - 22 de agosto. Irmã querida.

Deus abençoe o serviço de Correios brasileiro.

Fiquei 4 horas em busca de uma caixa, uma embalagem e alguém que enviasse um pacote para o Brasil. Irmã querida, logo, logo tem presente para você!


Estou lendo um livro sobre Ladakh, região onde fiz o curso de Vipassana. Dizem que antigamente, quando os maridos iam viajar, as mulheres poderiam dormir com quem quisessem. Funcionava mais ou menos assim:
- Ei, amigo, o marido da Sra. X foi viajar, vamos dar um pulinho na casa dela?
Amigos batem na janela:
- Oi, eu posso entrar?
A escolha fica a cargo da esposa. Sim ou não. Certa vez, disse que não. Os amigos seguiram para uma outra casa... Em seguida, ao retornarem para a casa de um deles, viram o marido da Senhora X com uma de suas esposas.

21/08. Sexta. Susto.

Febre. Dor de cabeça. Passei o dia achando que estava com a tal da gripe. E a dúvida, vou fazer exame ou não?

Se for a um hospital do governo, o risco de pegar a gripe é ainda maior, porque todos que estão ao meu redor acham que estão doente. Se for a um hospital privado, vou ter que pagar Rs. 40.000 (USD 800). Então nem vou.

Se não for e tiver doente? Paciência, depois eu cuido.

O céu carregado de nuvens escuras me assustou um pouco mais que as árvores caídas por toda a cidade, resultante das rajadas de vento que fizeram com que o percurso para casa durasse mais de 3 horas.

O Pankaj me levou para o Mc'Donalds, comprei um delicioso sundae de chocolate, nuggets e fui para casa ver filme e descansar. Como diria meu professor de meditação, take rest, take rest.

8.20.2009

Hawaianas. Quinta. 20 Ago.


Atrás da fonte, que pertence a um hotel-shopping center, fica o prédio Pacific Square, sede da EDA CapitalConnect.

Estou gostando desta idéia de vir trabalhar de Hawaianas.

8.19.2009

19/08. Quarta. Gripe dos Porquinhos.

Encontrei Mr. e Mrs. Mehta esperando o táxi que os levaria ao hospital. Dor de garganta, febre, coriza. Espero que não seja a famosa gripe dos porquinhos.

Número mais recente de H1N1: 355 casos.

Delhi, com pessoas em todos os lugares em todos os momentos, lugar bom para se ficar doente.

Ter-18-agosto. Colônia Portuguesa.

Às vezes tenho certeza que a Índia também foi colônia de Portugal e não da Inglaterra como andam dizendo por aí.
- Por que todos os lugares tem detector de metal e ele sempre apita e ninguém faz nada?
- Por que tenho que tirar a pilha da máquina ao entrar no cinema e deixar apenas a pilha com o segurança? Não posso deixar a máquina inteira?
- Por que as sementinhas de "after taste" após as refeições tem um gosto horrível e extremamente forte?
- Por que suco natural é feito com sabor artificial e corantes?
- Por que as mulheres são super convervadoras em mostrar os braços e as pernas mas deixam o barrigão de fora ao usar saaris?
- Por que existe lado certo de dirigir nas ruas se todos dirigem de todos os lados?
- Por que não encontro quase nada sem açúcar, mas não se come muito chocolate?
- Por que mesmo na época das chuvas (monsoon) a luz ainda acaba pelo menos umas 3 vezes por dia?
- Se todos falam inglês onde eu trabalho, por que eles conversam em Hindi na hora do almoço quando eu estou junto?
- Como eles conseguem comer tanta massa e encher tudo de açúcar e ainda ser magrinho?

8.18.2009

17 de agosto. Segunda. Terrinha.

Conheci este simpático casal de brasileiros durante o curso de Vipassana.

Gostoso falar português.

Hoje bateu uma saudade...

8.17.2009

Domingo. 16 de agosto. Mais 3 semanas.

Tenho mais duas semanas de trabalho.
E uma semana de folga.
Será que fico em casa, vou para a academia, tomo sol na laje?
Ou vou viajar?
Em 3 semanas volto para o Novo Mundo.

Independence Day. Sáb. 15 de agosto.


Dia de subir no telhado e empinar pipa... Se parasse de chover.

Dia de ficar em casa ouvindo a chuva passar... Como se desse para ouvir alguma coisa...

Dia de tomar uma cerveja no bar. Dia de lei seca.

Tarde de preguiça vendo filme no quarto... Com a cara dentro do computador para tentar ouvir alguma coisa.

Noite com amigos na casa nova da Ayesha... Amigos? Povo estranho.

14 de agosto. Sexta. Delhi.



55 minutos separam Leh de Delhi.
3 dias caso a viagem seja feita de ônibus e trem.
Fui recepcionada com nuvens espessas, chuva, flores, temperatura agradável.
Ainda que longe de casa, agora um pouco mais perto.
É gostoso voltar.

Quin. 13/agosto. Leh de novo.

Ainda no fuso horário de Vipassana, acordei cedo. Tentei continuar a prática e seguir em busca de iluminação fazendo duas horas de meditação por dia. Consegui durante quase 20 segundos e fui passear. O sol torrencial já aquecia o ar. Descobri que o Dalai Lama passaria pelas ruas de Leh. Sentei junto aos demais habitantes e esperei para ver o sorriso tranquilo deste senhor simpático.


Leh tem dois grandes monumentos, fui ao palácio, no alto de uma montanha, colorido por bandeirinhas.

Na volta encontrei uma associação de mulheres fazendo comidas diversas e artesanato.

Em seguida achei uma raridade: uma pedicure! Fiquei quase duas horas amolecendo calo e tirando a poeira do pé. Cidade pequena, população sorridente, a cada 30 minutos encontrava alguém do curso perambulando pelas ruas. Exausta, dormi cedo.

12/08. Quarta. Retorno.

Partimos de Temisgan em direção à Leh.

Tanta coisa passeando por minha cabeça que tive dificuldade em ouvir a música que animava o percurso. Senti o tamanho de nossa importância enquanto cruzávamos montanhas gigantescas repletas de pedras e pedras e pedras.

Passei a tarde caminhando pela cidade de Leh, o deserto mais alto do mundo.

Sentia os olhos ardendo, estava exausta, o pulmão se esforçava para filtrar o ar e tirar um pouco de oxigênio do gás carbônico, minha cabeça tilintava, o barulho era demais, meus olhos doíam mais e mais e meu estômago tentava digerir o jantar. Não consegui dormir.

Terça. 11 de agosto. Dia 10. Alívio.

Hoje comecei a gostar do curso. Percebi que foi difícil para todos. A maioria pensou em fugir, quase todos não conseguiam controlar a mente e passaram horas pensando.

Ainda acho que a italiana e a yogawoman são um um pouquinho loucas mas, afinal, quem não é? Descobri um carinho por minha roommate, tem umas idéias interessantes.

As 3 últimas horas de meditação foram afetadas pelos burburinhos que precederam as sessões.

Durante o almoço e chá da tarde fomos autorizadas a conversar com os homens na área do refeitório deles. Como é gostoso aprender o nome de pessoas com as quais você conviveu por 10 dias. Passei bom tempo observando os trejeitos de cada um. Minha favorita é uma francesa que oferecia comida do seu prato às vacas e ao final do almoço enchia 3 pães indianos (chapatis) de açúcar e tentava chamar as vaquinhas que estavam se deleitando com a grama.

Demorei para dormir.

Cadê o silêncio?

Dia 9. Seg. 10/Ago. Só mais dois dias!!!!

Mais dois dias, só mais 20 horas de meditação. Força Kika, força. Minha mente está vazia. Não tenho nem assunto para pensar mais. Não tenho mais sensação nenhuma, já senti tudo, já desapareceu tudo. Mais 19 horas... Vou pensar em quê agora?? Hmmmm... Vou pensar na minha irmã. Mais 18 horas. Me tirem daqui!!!!!!!!!!!!!!

Boa notícia. Amanhã só teremos 5 horas de meditação! Maravilha.

E o "noble silence" termina por volta das 10hs. Fantástico.

Mais 12 horas. Eu quero ir embora.

Fui falar com o professor. Sabe, pensei tanto nestes dias e concluí que sou bastante feliz. Não estou trabalhando, então não posso reclamar do meu emprego ou do meu chefe. Estou estudando na escola que escolhi a dedo. Amo minha família, sim, sim, temos nossos problemas, mas ela é maravilhosa. Tenho amigos que moram no meu coração e para quem eu entregaria minha vida de olhos fechados. Não tenho medo de morrer, entendo que é um ciclo. E entendo que as pessoas que eu amo também estão por aqui de passagem. Assim, não sou muito apegada a pessoas. E também não sou muito apegada a bens materiais - deixei tudo o que tinha no Brasil guardado em caixas de papelão, dei um monte de coisa, vendi outras. Dificilmente fico brava, raramente brigo com alguém, poucas coisas me estressam, sou bastante otimista. Se algo não acontece, não era o momento de acontecer, o que não me deixa super frustrada e triste. Sim, sim, fico triste, choro, tenho minhas mini depressões, mas, em geral, sou bem feliz. Ou seja, não sou miserável, não me identifico com esta técnica maluca e muito menos com os outros alunos. Preciso de algum fator para me motivar a continuar meditando, o que eu faço?

Wow, you are a female Buddha!

Não era bem a resposta que eu procurava.

8.16.2009

9/Ago. Domingo. Dia 8. Helicóptero?

Será que alguém tem um helicóptero para vir me buscar?

Ontem à noite eu não conseguia dormir porque tinha algo fazendo um mega barulho no nosso quarto. Minha yogawoman salvou minha vida e achou um besourinho que passeava tranquilamente em cima de uma lona. Parecia um elefante.

Enjoy the silence.

Dia 7. Sábado. 8/8. Rio Ganges.

Não quero nem saber da Tati, eu quero é pular no Rio Ganges sozinha e sair nadando beeeem rápido. Pelo amor de mim, me tirem daquiiiiiiiii?!!!! Não quero mais prestar atenção em sensação nenhuma, não tenho miséria nenhuma, sou bem feliz, não tenho nada a reclamar, eu gosto da minha vida em Delhi apesar de tudo, eu não estou trabalhando então não tenho nada contra meu emprego, estou estudando na melhor escola de relações internacionais do mundo, escolhi a dedo, estou indo bem, vou morar em uma casa com 9 pessoas que eu adoro, amo minha família, sim sim, temos problemas, mas amo todos, tenho amigos maravilhosos, sou feliz, posso ir embora agora?? não sou miserável, estou no lugar errado, isto aqui não é para mim, não quero mais meditar, não tenho mais nada para pensar, não quero mais tomar banho frio, as horas estão demorando demais para passar, quero ir embora.

Sexta. Dia 6. 7 de agosto. Metade

Ufa, só falta metade. Deve ter algum bom motivo para eu ter vindo parar aqui.

"Enjoy the Silence", como diria Depeche Mode. Aproveita e relaxa.

Só falta metade, você consegue.

Dia 5. 6 de Agosto. Quinta. Será?

Hoje não tive muita vontade de jogar a Tati no Rio Ganges. Passei o dia tentando entender o motivo para ela ter sugerido que eu fizesse o curso.

A comida é uma delícia. Já me acostumei a fazer apenas uma refeição principal e tomar um cházinho a tarde. Não acordo mais com fome no meio da noite e parei de sonhar com comida. Aliás, estou achando é ótimo porque já devo ter emagrecido uns 2 kg. Resolvi tomar banho todos os dias e lavar o cabelo a cada 2 dias. Tentei pensar em um tema para minha tese de mestrado, mas isso foi difícil demais. Relembrei muitos fatos da minha infância. Amo meus pais. Que saudade imensa da minha irmã. Também a amo muito.

Ok, ok, foco nas sensações...

Nosso banheiro: diversão garantida era fazer xixi nas noites frias e estreladas.

Quarta. Dia 4. 5/8. Uma fugiu.

Minha roommate da Áustria fugiu logo após o café da manhã. Disse que ela obtém a felicidade dela mergulhando e que o pessoal é um bando de miserável triste e maluco. Deixou seu email e saiu correndo. Quase fui com ela, mas a mala de rodinhas me impediu.

Respirei fundo e fui rearrumar o quarto: ótimo, mais espaço para nós duas remanescentes. Com 2 travesseiros passei a dormir bem melhor.

Até que estou gostando do silêncio. Dá para pensar bastante. Analisei vários fatos da minha vida e fiquei testando minha memória:

- qual a imagem mais antiga que tenho da minha irmã?
- será que lembro de tudo o que fiz na Índia?
- como era o dia-a-dia quando eu namorava o Fer?
- qual viagem eu lembro de ter feito com meus pais?
- será que eu já briguei com alguém de verdade?
- como foi meu último semestre em Boston?

Lembrei de coisas que estavam quase apagadas na imensidão de novos fatos e acontecimentos.

A área de concentração aumentou. Ao invés de ficar sentindo o ar no meu nariz, a partir de hoje tenho que prestar atenção em todas as sensações que eu tenho no corpo inteiro: vibração, dor, formigamento, pulsação, pressão, calor, suor, frior, arrepio, o que seja. Bem mais interessante que ficar olhando meu nariz. Dividi o corpo em 12 partes principais. Se eu ficar 5 minutos prestando atenção em cada parte consigo ficar meditando por uma hora inteira. Ok, vamos lá.

Quero ir embora. Tatiiiiiiiiiiiiii, vou te jogar no Rio Ganges!!!!

Dia 3. Terça. 4/Ago. Vixe Maria.

Meus queridos, Tati, o quê que você tinha na cabeça quando falou para eu vir para cá?

Não aguento mais ficar sentada, minha coluna dói em qualquer posição que eu fico, meu joelho dói, minha perna dói, num guento mais ficar observando meu nariz.

A água do banho melhorou um pouco. O banheiro tá a cada hora com um odor mais agrádavel. Lavei umas roupas para passar o tempo.

Minha maior diversão é beber água para ficar com vontade de fazer xixi e depois ir até o refeitório encher a garrafa de água e voltar para a sala de aula.

10 dias. Tão pouco tempo comparado aos quase 30 anos que eu já vivi. Relaxa, Kika, você consegue, é pouco tempo. Pouco tempo nada... Vou ficar na Índia só 3 meses e meio, e vou passar 10 dias aqui sem fazer nada??? Ah, não, quero ir embora. Embora como? Você tá no meio do Himalaia, longe de tudo, com uma mala gigantesca de rodinha? Embora para onde? Respira fundo, aproveita a paisagem, relaxa, você não tem nenhuma obrigação, nada para te preocupar, nada para fazer. Fica quieta aí, pensa nas classes que você vai fazer no próximo semestre. Isso, boa. Pronto, já sei, resolvido. E agora? Penso em que? Quero ir embora.

Agosto/3. Segunda. Dia 2.

Fato positivo: a rotina é a mesma, nada muda. Nenhum tipo novo de informação é captada pelo cérebro.

Fiz a unha durante o descanso do almoço. Tirei todos os brincos e pulseiras, prendi o cabelo em um rabo de cavalo. Resolvi levar o acampamento a sério.

Não consegui dormir de tanto que meus joelhos doíam.

Quero ir embora.

Dom. 2/ago. Bléim, bléim, bléim... Dia 1.

Para quê acordar tão cedo hein?

Nem preciso falar que não dormi nada e já eram 4h00. Um belo sino não parava de tocar na frente da nossa janela. Agarrei meu cobertor, uma lanterna e subi a montanha rumo à sala de aula "The Hall".

Parecia filme. Sala iluminada por velas, vultos escondidos por cobertores, todos sentados de frente para o professor, um senhor de branco com uma longa barba cinzenta.

Sentei e fiquei quietinha, observando as pessoas, tentando não dormir sentada e controlar meus pensamentos.

Se o banheiro é só um buraco no chão, como é que os homens conseguem fazer côco? e ainda piora porque não podemos ler nada.
E para tomar banho hein? Com esse frio, a água deve ser geladérrima. E nem tem chuveiro, vou ter que encher um balde d'água e levá-lo para o lugar de tomar banho. Aff... Se eu ficar 10 dias sem tomar banho, será que alguém vai falar alguma coisa?
Lógico que ninguém vai falar nada, é proibido falar. Será que minhas roommates vão perceber?
Eu devia ter trazido um biquini para tomar sol durante o horário de almoço.
O quê que eu tô fazendo aqui hein?

Passei o dia mudando de posição a cada 15 minutos para que minhas pernas não dormissem. Gostei da comida. Tomei um banho congelante e decidi repetir a operação a cada 2-3 dias. Durante os intervalos de descanso dei uma cochilada. Aprendi a meditar: era só prestar atenção na respiração e sentir o ar entrar e sair do nariz. Dormi um pouco melhor à noite.

1/Ago. Sábado. Assassinato na Caxemira.


A calma característica da cidade de Leh foi abalada pela manhã com o disparo de um revólver contra um taxista que trazia 3 garotas da Caxemira. O sol continuou a brilhar e o céu azul nos abrigou por algumas horas enquanto esperávamos o ônibus que nos levaria a Temisgan, recinto do curso.

Um pouco mais acostumada com a altitude (3.500m), sentada no colorido jardim da Chow Guest House, a dor de cabeça cedia aos poucos enquanto eu observava alguns dos 50 participantes que fariam parte da minha vida pelos próximos 10 dias:

1 italiana obssecada por limpeza: chegou a colocar um cano de plástico no ânus e jogar água para limpar o intestino. É sério.
1 dupla de yogaman e yogawoman: ficaram 5 horas alongando e colocando as pernas atrás da cabeça.
1 australiana bonitinha: super preocupada com sua bagagem. Não podia perdê-la de jeeeeeeito nenhum.

Partimos com 8 horas de atraso. Até que a paisagem é bonita, e eu conseguia apreciar enquanto tentava não vomitar a cada curva que fazia com que o ônibus quase despencasse da estrada. Chegamos ao local por volta das 21hs. Fiquei feliz por não ter criado muitas expectativas... Eu até gosto de acampar, e se tivessem me dito que a infra-estrutura é um pouquinho mais rústica que o CCB de Perequê-Açu, eu não teria levado minha mala rosa de rodinhas.

Jantar, uns 30 minutos de instruções, noble silence e cama. No meu quarto tenho mais duas roommates, uma da Áustria e a yogawoman com cara de louca. Silêncio.

7.29.2009

Sexta. 31/julho. Silêncio

Fonte
Tati Milan. Amiga querida, agradeço a dica. Graças a ela, parto antes do sol nascer com destino a Leh, capital do Ladakh, no Himalaia, pertinho da Caxemira. Vou em busca de aprendizado em um curso de Vipassana (meditação) criado por S. N. Goenka, localizado em Temisgam. Novamente rumo ao desconhecido. 10 dias de silêncio. Sem computador, nada de música, longe dos livros, não pega telefone, papel e caneta estão proibidos, contato físico é vetado, comida vegetariana. Não sei ao certo o que esperar além de um pouco de frio. E, sim, sim, sim, vou ter que acordar às 4h00 da manhã.

Aos que tem me acompanhado, meu sincero agradecimento. Aos que estão atrasados, bom momento para ler o que já passou. A todos, um beijo e ótima semana. Volto dia 15 de agosto.
4:00 a.m.------------------Morning wake-up bell
4:30-6:30 a.m.-------------Meditate in the hall or in your room
6:30-8:00 a.m.-------------Breakfast break
8:00-9:00 a.m.-------------Group meditation in the hall
9:00-11:00 a.m.------------Meditate in the hall or in your room
11:00-12:00 noon-----------Lunch break
12noon-1:00 p.m.-----------Rest, and interviews with the teacher
1:00-2:30 p.m.-------------Meditate in the hall or in your room
2:30-3:30 p.m.-------------Group meditation in the hall
3:30-5:00 p.m.-------------Meditate in the hall or in your room
5:00-6:00 p.m.-------------Tea break
6:00-7:00 p.m.-------------Group meditation in the hall
7:00-8:15 p.m.-------------Teacher's Discourse in the hall
8:15-9:00 p.m.-------------Group meditation in the hall
9:00-9:30 p.m.-------------Question time in the hall
9:30 p.m.------------------Retire to your room; lights out

30 de julho. Quinta. CapitalConnect.

Meu gerente resolveu me encher de trabalho... Já estava me acostumando com a vida tranquila do dia-a-dia no escritório.

29/7, quarta-feira. Cinema.

A coisa que mais tenho feito aqui é ir ao cinema. E confesso que nas CNTP eu não teria visto 3/4 dos filmes que assisti: comédia tonta, Harry Potter, ficção científica. Cadê os dramas? os romances? os filmes tristes? os que te fazem pensar e refletir? Por que não passam aqui?

Será para evitar que as pessoas mostrem as emoções em público? conversem sobre os temas? ou simplesmente não tem público? ninguém dos 1,1 bilhão tem muito interesse nestes filmes?

7.28.2009

Ter. Julho. 28. Escola



Fim de férias.
Pais orgulhosos desfilam com suas crianças de uniformes coloridos, listrados, limpos e cheirosos. Dias de semana, sábados, domingos, elas estão por todos os lados, nas ruas, nos shoppings, nos parques.
Do outro lado da calçada, business as usual para outras milhares de crianças.




Seg. 27 de julho. Monsoon.


Em Campinas chove.


Daquelas chuvas bem gostosas, com direito à vento, trovão, relâmpago, enchente, inundação, água escorrendo nas paredes, árvore quebrada, buraco nas ruas, do jeitinho que eu gosto.

Campinas à parte, Monsoon chegou em Nova Delhi com força e passou quebrando tudo.


Deixou nossa sala-de-estar embaixo d`água.


Saudade dos bolinhos de chuva e das canaletas construídas na areia encharcada da madrugada.

7.27.2009

Jul/26. Domingo. Meu primeiro Sari.


Mrs. Mehta, nossa pechinchadora oficial, nos brindou com a honra de sua presença no domingo. Já tenho um Sari. É preto, cinza e vermelho, cheio de flores. Agora estou em busca de um casamento para usá-lo.

Sab. 25 de julho. Festa no Rajasthan


Dia de festa no Rajastão, é o Teej Festival. "Celebra-se, todos os anos, uma festa feminina em que as mulheres veneram a Deusa “Parvati”, a sua união com Lord Shiva e o advento da monção das chuvas. Os homens de grandes bigodes usam normalmente turbantes e adagas porque são guerreiros dos Rajás. Nas ruas de Jaipur vêem-se edifícios com arcadas e todo um comércio próspero. Percorrem diariamente as artérias da cidade, mulheres com saris multicolores, ghagharas e burkas, a maioria usando o “bindi” na testa (A pintinha de cor). Nas tendas, a comida está ali ao lado, do barbeiro ou do aguadeiro, do garajeiro ou do leiteiro, do comerciante de roupa ou do taxista. Todas as profissões se entrecruzam numa amálgama de serviços. Odores a açafrão contaminam o ar e o sabor a caril espalha-se pelos poros humanos." (copiado daqui)

Vó, não se preocupe, de acordo com ele vou casar e terei 3 filhos! Viajo bastante (não diga?!), aos 31 anos alguma coisa importante vai acontecer, a sorte me acompanha. Ah, e disse ainda que devo viver ainda várias décadas...

"O Mehendi é muito usado nas cerimónias de casamento, especialmente porque está associado à transcendência e a transformação. Em geral, os amigas e membros da família da noiva passam horas juntos a pintar e aproveitam para conversar sobre a lua-de-mel. Enquanto a tatuagem durar, a noiva não faz nenhum serviço em casa, apenas se desejar. As noivas indianas costumam esconder as iniciais do futuro marido entre a teia de símbolos hindús que vão tomando conta do corpo. Na noite de núpcias, os homens têm de encontrar as suas iniciais." (fonte)